Curso teve parte teórica e prática, com a implantação de uma área de cultivo utilizando sistemas agroflorestais • Fotos Sydnei Fogassa

Vinte agricultores do Assentamento Água Branca e do entorno do Puraquequara participaram de um curso teórico e prático abordando os conceitos e implantação de sistemas agroflorestais. O treinamentofoi realizado no Centro de Treinamento Agroflorestal do Museu da Amazônia(CTA/Musa), localizado no Puraquequara. O curso, realizado em dois dias, foiministrado pelo engenheiro florestal Eric Brosler, coordenador do CTA/Musa.

Os alunos receberam noções teóricas sobre o ecossistema da floresta amazônica, com referência às características da floresta que favorecem o equilíbrio ambiental, atributos da interação do solo, cobertura vegetal nos múltiplos estratos e biodiversidade local, com ênfase para a necessidade do conhecimento adquirido pela observação do homem na interação com a floresta.

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A parte prática consistiu de uma atividade agroecológica denominada sistema agroflorestal, onde são utilizados os conhecimentos da floresta local para a agricultura, cultivando espécies anuais e perenes em um mesmo espaço. O objetivo é a diversificação de produtos e a sustentabilidade do ambiente de cultivo. “Isso tudo sem a utilização de insumos químicos e de fogo no preparo da área, recuperando áreas de capoeiras degradadas com espécies nativas para fins ecológicos e produtivos, proporcionando produtos diversos por área cultivada”, explica Eric Brosler.

José Rodrigues, presidente da Associação dos Moradores e Agricultores da Comunidade Uberê, do projeto de Assentamento Água Branca, e morador da área há 11 anos, foi um dos alunos do curso. “Esse tipo de capacitação é importante. O sistema de agrofloresta possibilita ao agricultor produzir sem ocupar muito espaço e sem agredir o meio ambiente. Daqui a uns anos, uns 10 anos, vou olhar pra trás e ter a alegria de ver a floresta em pé”, analisou.

Para ele, o apoio do CTA/Musa tem sido importante para os agricultores, que abraçaram a ideia de produzir alimentos em consórcio com a floresta nativa. Os alimentos produzidos pela Associação são comercializados em quatro feiras em Manaus. Uma realizada aos sábados, na rua Maceió, exclusiva para produtos orgânicos, organizada pela Associação de Produtores Orgânicos do Amazonas (Apoam).

Duas feiras são organizadas pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS): no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e no pátio do Clube dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica de Manaus (Cassam).  Outro espaço ocupado pelos agricultores do Água Branca é a Feira do Ifam – Instituto Federal do Amazonas, na Zona Leste, organizada pela Secretaria de Produção Rural (Sepror).

Agricultura familiar representa 77% dos empregos no setor agrícola

No Brasil, segundo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a agricultura familiar representa 77% dos empregos no setor agrícola.

Especialistas estimam que haja mais de 500 milhões de áreas de agricultura familiar no mundo, incluindo agricultores de pequena e média escalas, camponeses, povos indígenas, pescadores e criadores de gado. A importância da agricultura familiar na mitigação da fome e da pobreza rural também é grande.

Em 2013, a FAO emitiu comunicado aos países que impulsionem esforços para promover os sistemas agroflorestais, uma prática que envolve a combinação de árvores com a cultura agrícola ou a pecuária. Isso pode ajudar milhões de pessoas a sair da pobreza e evitar a degradação ambiental, tornando-se vital para garantir a segurança alimentar.

Em uma iniciativa destinada a reposicionar a agricultura familiar no centro da formulação de políticas nacionais agrícolas, ambientais e sociais, a Assembleia Geral da ONU declarou 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar.

Fotos Sydnei Fogassa • 26/03/2014