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Angelim arde em chamas após tombar na manhã de domingo, dia 4/5.

O angelim-pedra localizado na área do Museu da Amazônia (Musa), dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke, tombou na manhã de domingo, mas o fogo em seu interior só foi totalmente extinto nesta segunda, após intenso trabalho dos bombeiros e funcionários do Musa. O combate mobilizou sete homens dos bombeiros e a equipe operacional do museu, cujos funcionários auxiliaram os militares seccionando a árvore gigantesca para permitir o acesso ao interior da planta.

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Também na segunda pela manhã, o diretor-adjunto do Museu, Roberto Moraes, registou boletim na Delegacia de Meio Ambiente relatando o ocorrido. O diretor-geral do Musa, Ennio Candotti, anunciou a intenção de marcar o local com algum tipo de monumento voltado para a educação ambiental.

De nome científico Dinizia excelsa Ducke, o angelim-pedra tinha 45 metros de altura total, 21 apenas de tronco, e uma circunferência de 7,80 metros próximo à base. Com essas dimensões, estima-se que a árvore tinha cerca de 500 anos, mas é possível que alguns exemplares possam ultrapassar os mil anos.

Histórico

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No sábado pela manhã, Rubenaldo Ferreira, funcionário do Musa, acionou os bombeiros e a polícia depois de observar fumaça na floresta, próximo à avenida Margarita, sentido Nova Cidade, a cerca de 800 metros do Jardim Botânico de Manaus. No local, haviam indícios de algum tipo de ritual religioso, pois havia restos de frutas, tecido e velas vermelhas no solo próximo à base da planta. Os bombeiros foram ao local e utilizaram cerca de 25 mil litros de água para tentar apagar as chamas da árvore.

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No domingo, apesar da chuva, a árvore continuava a arder por dentro e tombou por volta das 11h. Nesta segunda, os bombeiros foram chamados novamente ao local, pois a planta continuava a pegar fogo. Desta vez, foram utilizados mais 20 mil litros para extinguir o incêndio. Quase a totalidade do interior do tronco da árvore virou carvão.

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Segundo o botânico Mario Fernandez, do Musa, o acúmulo de material orgânico numa cavidade da árvore próximo ao solo facilitou a propagação do fogo. Segundo ele, esse tipo de cavidade se forma a partir de galhos que se partem e onde não ocorre a cicatrização. “Como em qualquer outra árvore de nosso quintal, se podamos os galhos deixando tocos, a madeira fica exposta e começa a apodrecer. É porta de entrada para fungos, bactérias e cupins, que abrem caminho, lentamente, até o centro do tronco. Esta não é uma parte viva da planta, serve apenas para sustentar a copa e as folhas. Mas para o angelim-pedra, esse processo pode ter levado 200, 300 anos.”

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“O fogo pode ter se originado com uma vela acesa no interior da árvore, que derreteu e espalhou a cera sobre a madeira seca, potencializando o calor da vela. Outro problema é que a podridão dentro do tronco encontrou uma saída perto da copa deste angelim e formou uma chaminé, que permitiu a circulação do ar dentro do tronco. Ou seja, tudo contribuiu para o fogo. O interior da planta virou uma fornalha tão potente quanto uma usina metalúrgica”, avaliou.

Segundo ele, nem sempre a árvore apodrece naquele local. “Quando ocorre a cicatrização da forma correta, a gente pode observar calombos na planta. Aquilo é cicatrização da planta pela perda de um galho”, explicou.

Fotos Rubenaldo Ferreira, Larissa Rodrigues, Antonia Barroso, Mario Fernandez / Musa