Atraídos pela água acumulada entre as folhas, eles encontram abrigo nas bromélias da Reserva Florestal Adolpho Ducke e do viveiro de orquídeas e bromélias do Museu da Amazônia. Mas além da admiração que despertam nos visitantes, esses sapinhos têm características especiais. Arborícolas, de hábitos noturnos, eles também são oófagos. Sim, os girinos se alimentam de ovos depositados pela mãe na água acumulada entre as folhas, daí o nome científico Osteocephalus oophagus, que significa “comedor de ovos”.

A reprodução ocorre principalmente na estação chuvosa entre novembro e maio. Os machos vocalizam, para atrair as fêmeas, em cavidades de árvores cheias de água com a parte posterior do corpo submersa, entre 2 e 32 metros de altura. A mesma estratégia vale para as cavidades entre as folhas de bromélias.

Após a cópula, a fêmea retorna a cada 5 dias, aproximadamente, à área de reprodução do macho, e acasala novamente, depositando seus novos ovos juntos com aqueles mais antigos, resultantes da primeira cópula. Desta forma, os girinos da primeira desova emergem dos ovos antes daqueles que fazem parte das desovas subsequentes e se alimentam desses ovos.

A desova é depositada na água e consiste em uma massa gelatinosa contendo cerca de 2,4 mil ovos, que podem flutuar perto da superfície da água ou ficar aderidos na parede interior da cavidade. Os girinos desenvolvem-se na cavidade até completar a metamorfose.

“É uma estratégia da fêmea colocar muitos ovos, pois, além da mortalidade ser grande, boa desse ovos vai alimentar os girinos”, explica a ecóloga Fernanda Meirelles, do Musa. Estudos indicam que a vigilância das crias é tarefa compartilhada entre fêmea e macho.

São encontrados no Brasil, Colômbia, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, pertencem à família Hyperoliidae. Como na maioria das espécies de sapos, as fêmeas são maiores: enquanto os machos medem de 39 a 53 cm, as fêmeas têm entre 49 e 57 cm.

A região lateral (raramente também a região dorsal) em alguns indivíduos pode ser repleta de manchas esbranquiçadas. Os braços e pernas têm barras transversais sobre um fundo marrom escuro. Os machos têm um saco vocal único na região gular. A íris é dourada com linhas radiais negras.

Fontes:
Guia de sapos da Reserva Ducke, publicado pelo PPBio/Inpa
http://sapologia.blogspot.com.br
Reserva Ducke: A diversidade amazônica através de uma grade, publicado pelo INPA

16/05/2014