Equipe da Record News capta imagens dos sapos entre as bromélias no Musa

Equipe da Record News capta imagens dos sapos entre as bromélias no Musa.

O repórter Ronaldo Menezes e equipe da Record News saíram da redação com as informações básicas para transformar em matéria de televisão uma pauta que requeria, principalmente, paciência. O desafio era registrar parte da rotina de uma espécie de sapo que busca abrigo em bromélias e outras plantas para reprodução. A área da Reserva Ducke é imensa: são 100 hectares de mata nativa e tem 50 espécies de sapos catalogadas no Guia de sapos da Reserva Florestal Adolpho Ducke, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O local escolhido foi o viveiro de orquídeas e bromélias do Museu da Amazônia (Musa), localizado na reserva.  O “personagem” da matéria eram sapos da espécie Osteocephalus oophagus. Arborícolas, os girinos se alimentam de ovos depositados pela mãe na água acumulada entre as folhas, daí o nome científico Osteocephalus oophagus, que significa “comedor de ovos”. “Surpreendente”, resumiu o jornalista, depois de, com o auxílio da monitora Lizane Melo, do Musa, avistar os sapinhos entre as orquídeas.

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Ronaldo e equipe chegaram ao museu cedo, por volta das 8 da manhã. Depois de conhecer o viveiro de orquídeas e bromélias, visitaram também a exposição Sapos, peixes e musgos, onde puderam conhecer um pouco mais sobre a vida desses animais. A mostra, que ocupa uma tenda de 300m2 nas trilhas do Musa, aborda o universo dos animais e plantas que vivem entre os ambientes aquáticos e terrestres na Amazônia e a presença desses seres no imaginário das populações locais do passado.

No acervo da exposição, estão aquários com espécies de peixes pulmonados, totens que explicam a respiração dos peixes, painéis que contam a evolução dos anfíbios, uma instalação de cubos que mostra a diversidade de sapos, além de réplicas de muiraquitãs.

“A gente sai com uma ideia de como vai fazer a matéria, pois a pauta vem resumida. Quando a gente chega para concluir a pauta a gente encontra um leque de informações a mais que a gente já tinha recebido”, disse Ronaldo. No local, o jornalista recebeu informações mais detalhadas sobre a espécie com a ecóloga Fernanda Meirelles, assessora técnica de fauna do Musa.

Ela falou, entre outros assuntos, sobre a estratégia da fêmea colocar muitos ovos, pois, além da mortalidade ser grande, boa parte desses ovos vai alimentar os girinos. Segundo Meirelles, estudos indicam que a vigilância das crias é tarefa compartilhada entre fêmea e macho.

“É surpreendente isso. Entender a relação entre fauna e flora, porque o sapo usa essa planta para reprodução. São coisas maravilhosas que a gente não encontra no dia-a-dia, não fazem parte da nossa rotina. E nem tão longe da gente”, avaliou o repórter.