As abelhas, o homem e o caboclo da Amazônia 
(Hymenoptera, Apidae)

Palestrante: Davi Said Aidar (Ufam)

Davi Aidar tem graduação em Zootecnia pela Fundação Universidade Estadual de Maringá (FUEM), mestrado em Entomologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), doutorado em Entomologia e Pós-Doutorado em Genética Molecular pela Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência na área de genética de abelhas e animais domésticos, com vários trabalhos em comunidades rurais no Amazonas, atuando principalmente nos temas: zootecnia, meliponicultura, apicultura, multiplicação e preservação de abelhas silvestres.

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De acordo com o autor, as plantas silvestres, parentes das plantas domesticadas pelo homem para produção de alimentos, estão sendo extintas devido às alterações ambientais que a espécie humana vem causando no planeta. A escassez de polinizadores agrava ainda mais o problema da queda na produção agrícola e conservação das reservas florestais. As abelhas são responsáveis pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelo Homem e até 90% da reprodução e manutenção das florestas tropicais. O aquecimento do planeta, o uso indiscriminado de pesticidas e os desmatamentos são os fatores que influenciam a queda da população desses polinizadores (Hymenopteras, Apidae).

Estudar e conhecer os aspectos biológicos das abelhas facilita o entendimento dos mecanismos que organizam o ecossistema e permitem ao homem interferir e facilitar a manutenção da biodiversidade nas florestas tropicais. Preservar as florestas significa garantir a reprodução dos vegetais que as compõem. Assim, preservar as abelhas polinizadoras será a única forma de manter as árvores produzindo sementes férteis e gerarem descendentes. Uma alternativa lógica é fomentar a meliponicultura e a apicultura nas regiões de preservação ou reflorestamentos.

Atividade ecologicamente correta, a criação racional de abelhas no Brasil foi desenvolvida inicialmente pelos índios e posteriormente, por pequenos e médios produtores rurais. A atividade vem despertando interesse de novos criadores e de instituições de ensino e pesquisa em muitos países. O interesse pela criação de abelhas é justificado pelo uso nutricional e terapêutico do mel, pólen, cera, própolis, geoprópolis, apitoxina, geleia real e o efeito da polinização.

As pesquisas já demonstraram que o mel é fonte de enzimas e açucares benéficos à saúde humana; o pólen, como fonte de minerais, aminoácidos e auxilia na cura de diversos tipos de câncer, principalmente o de próstata; a própolis como ativador do sistema imunológico promovendo resistência às viroses e bacterioses diversas; a geleia real, com ácido pantatênico é rejuvenescedora e revitalizante de tecidos e atividades orgânicas para o homem.

A apicultura e a meliponicultura, além de promoverem um aumento da renda familiar do caboclo pela comercialização desses produtos e das abelhas, que são vendidas a preços que variam de 50 a 300 reais cada colônia, melhoram a qualidade de vida das famílias que consomem os produtos das abelhas.

O Brasil é o quarto produtor mundial de mel, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Alemanha. A apicultura norte-americana está com sérios problemas e, de dezembro para cá, já perdeu 30% de suas colmeias; na Alemanha e Inglaterra vem ocorrendo o mesmo fenômeno, onde as abelhas abandonam as caixas e os prejuízos nos apiários são sérios. Com esta realidade, logo o Brasil será o primeiro produtor de mel.

Por tudo isso, prossegue o palestrante, “sabemos também que a atividade merece mais atenção pelas agências de fomento devendo preparar melhor os produtores para que possam aumentar o plantel de colônias e por fim aumentar a produção nacional. Treinar o produtor rural não significa apenas ensina-lo a criar abelhas e obter lucro da atividade, mas o mais importante é treiná-lo e auxiliá-lo na gerência dos recursos obtidos de empréstimo em bancos para que a inadimplência agrícola seja cada vez menor. Na região amazônica é muito comum o produtor adquirir recursos do governo e não conseguir pagar a dívida por vários motivos, mas principalmente por falta de auxílio técnico qualificado. Muitos projetos acabam mesmo antes de terminarem devido a esta realidade”, explica.