Os sapos utilizam o canto principalmente para a reprodução e defesa de território, sendo que cada espécie tem sua própria vocalização. No dia 23 de outubro, no Museu da Amazônia, ouvimos o canto de um sapinho muito interessante chamado Allobates femoralis, popularmente conhecido como rã-de-coxa-brilhante. Este animalzinho de aproximadamente 25 mm leva esse nome pois possui manchas alaranjadas nas coxas, que sinalizam a presença de substâncias tóxicas em sua pele. Contudo, seu veneno é capaz de matar somente pequenos animais, não sendo nocivo para o homem.

O período reprodutivo da espécie ocorre na estação chuvosa. O macho defende ferozmente seu território e emite vocalizações para atrair fêmeas. Diferentemente da maioria das espécies de sapos, a fêmea da rã-de-coxa-brilhante não escolhe seu parceiro apenas pelo canto, o ritual de acasalamento também envolve sinais visuais e táteis. O casal passa dias na paquera e a fêmea avalia cuidadosamente o macho, até que ocorre o amplexo (maneira que os cientistas chamam a cópula dos sapos). A fêmea deposita seus ovos sobre as folhas secas que estão no chão da floresta. Os girinos se desenvolvem e são transportados pelo pai até corpos d’água próximos, onde terminam sua metamorfose.

Pesquisadores descobriram que o canto dos machos das rãs de coxa brilhante varia conforme a região em que vivem. Essa variação é percebida no numero de notas emitidas na vocalização, existindo cantos de 2 até 6 notas. A diferença no canto acontece, pois os grupos de rãs-de-coxa-brilhante que vivem em lados opostos dos grandes rios amazônicos desenvolvem com o tempo algumas variações. Apesar disso, os indivíduos ainda conseguem reconhecer o canto de outro sapo da mesma espécie que more em outra região.

Texto Fernanda Meirelles / Musa • Observação e informações Lizane Melo /Musa • 29/10/2014