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Fêmea de mariquita-de-papo-de-fogo (Setophaga fusca) registrada na torre do Musa

Esta foi uma semana muito produtiva e de grandes surpresas na torre de observação do Musa, muito usada para as atividades de observação e fotografia, além de estudos sobre a biologia e comportamento das aves.

Na quarta-feira (14/01/2015), durante uma visita dos observadores e fotógrafos de aves, Paulo Caputo e Isabela Alves, registramos, acompanhando um bando de várias espécies de aves (bando misto), uma fêmea da espécie Setophaga fusca, ou mariquita-de-papo-de-fogo. Esta mariquita é uma espécie migratória, que vem dos Estados Unidos fugindo do inverno, aparecendo no Brasil entre dezembro e março (Sigrist, 2013, Avifauna brasileira). No site sobre fotos e biologia de aves wikiaves, o terceiro mais acessado mundialmente desta categoria, as fotos feitas no Musa constam como as primeiras obtidas e publicadas em território nacional (foto 1). Além desta espécie icônica, neste dia de visita, foram registradas mais de 45 espécies de aves durante a manhã, sendo várias delas lifers para os visitantes (lifer é uma espécie nunca vista antes pelo observador de aves e que não constava em sua lista de observações).

Fêmea de gavião-real, ou harpia, registrada na torre do Musa

Fêmea de gavião-real, ou harpia (Harpia harpyja)

Já na quinta-feira (15/01), enquanto monitorava um ninho de saíra-negaça (Tangara punctata), ouvi os cantos de um gavião e como os cantos não pararam, subi na torre de observação e registrei um casal de gaviões-reais ou harpias (Harpia harpyja). O casal estava pousado no meio da copa de uma árvore próxima do vale, à direita da torre, e a fêmea vocalizava insistentemente. Pouco depois, a fêmea voou para uma árvore seca próxima da árvore anterior, ficando exposta e me permitindo melhorar o registro (foto 2). Ao final da manhã, ambos voaram e sumiram da vista. Esta já é a terceira vez que a espécie é registrada no Musa, sendo o primeiro registro o de um jovem que apareceu próximo da sede do Musa, no final de 2012 (Antônia Barroso), e o segundo um adulto que apareceu durante a visita à torre do ex-Ministro de Ciência e Tecnologia, Dr. Clelio Campolina e sua comitiva, em outubro de 2014. O fato destes gaviões serem registrados na área do Musa, continuação da Reserva Florestal Adolpho Ducke (INPA), é um ótimo indicativo da saúde da floresta, que mostra comportar animais como macacos, cutias, jacus e mucuras (gambás), os alimento preferidos destes gaviões e sem os quais eles não persistiriam na área.

Texto e fotos Felipe Bittioli R. Gomes / Musa • 19/01/2015

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