Durante os dias de sol é comum observar no Museu da Amazônia um lagarto muito interessante! Seu nome científico é Ameiva ameiva e popularmente é conhecido como lagarto-verde. Os machos são maiores, medindo até 19 cm, enquanto as fêmeas chegam a 16 centímetros, isto sem considerar o tamanho da cauda. Habita o chão de florestas densas e de áreas desmatadas. É comum ser observado em áreas de clareira, bordas, ao longo de cursos d’água e na beira de estradas. Como é uma espécie heliotérmica, ou seja, que toma sol para manter a temperatura corporal alta, é dificilmente encontrada em áreas muito sombreadas. É um animal onívoro e procura seu alimento entre as folhas caídas no chão da floresta e em fendas no solo. Estudos relatam o lagarto-verde alimentando-se de vegetais, ovos de outros animais, larvas e pupas de insetos, baratas, cupins, gafanhotos, grilos, besouros, escorpiões, aranhas, caramujos e cigarras.

Movimenta-se durante as horas mais quentes do dia para manter a temperatura de seu corpo alta. Contudo, para que seu corpo não superaqueça alterna entre áreas de sol e sombra. Como possui coloração verde e amarronzada, usa as folhas caídas no chão da floresta para se camuflar e passar despercebido por potenciais predadores.
O lagarto-verde é alimento de diversas espécies de cobras, além de também ser predado por lagartos maiores e gaviões. Outras espécies, como as corujas, aproveitam para atacar o lagarto durante a noite, período em que a espécie é mais lenta.

Ocasionalmente, os machos competem de forma agressiva por uma mesma fêmea. Ela deixa um rastro químico, que é percebido pelo macho, com a mensagem de que está no período reprodutivo. O macho então corteja a fêmea por um longo período e quando consegue alcançá-la fica por cima dela, podendo até morder sua nuca para impedir que ela fuja. Posteriormente, a fêmea deposita seus ovos em meio às folhas caídas. Os filhotes são incubados por um período de aproximadamente três meses e depois saem dos ovos.

Pesquisadores observaram um estranho comportamento de lagartos-verdes machos: eles tentavam copular com fêmeas que já estavam mortas, comportamento conhecido como Davian ou necrofilia. Apesar de nos parecer muito bizarro, existe uma explicação para a conduta desses machos. Antes de morrer, as fêmeas haviam deixado rastros que indicavam que estavam no período fértil. Os machos, atraídos por esses rastros, quando encontraram as fêmeas tentaram copular e não perceberam que elas estavam mortas, pois como são heliotérmicos, a temperatura de seu corpo permanece alta por um longo tempo, dificultando a percepção da morte.

Texto Fernanda Meirelles / Musa • 16/02/2015