Existe uma lei universal na natureza que dita que: “se você não come, pode se comido”. Desta forma, se você não for um animal grande, forte, veloz, ou temido, uma alternativa de sobrevivência é não ser visto por seus predadores.

Os animais se utilizam de diversos métodos para não serem comidos por seus predadores. A alternativa mais comum é tentar diminuir a possibilidade de serem vistos por eles. Por exemplo, os ninhos de pássaros, peixes, mamíferos e de outros animais geralmente são construídos em ocos ou fendas, entre a vegetação, ou em grandes altitudes, visando à proteção dos ovos e filhotes. Os pássaros japiim e tecelão (Cacicus spp.), que estão distribuídos por todo o Brasil, constroem seus ninhos em forma de sacos pendurados a grandes altitudes e até próximos dos ninhos de cabas ou vespas (Hymenoptera). Outros animais como catetos e queixadas (Pecari tajacu e Tayassu tajacu), observados em quase todos os biomas brasileiros, andam em grandes grupos de até 100 porcos justamente porque o grupo oferece mais segurança para cada um dos indivíduos. O mesmo exemplo pode ser utilizado para peixes que nadam em cardumes, como o cardinal do Alto Rio Negro (Paracheirodon axelrodi).

Entretanto, existe uma estratégia evolutiva muito mais elaborada, que demorou milhares de anos para ser aperfeiçoada e que surgiu possivelmente em resposta à interação com outros organismos, a chamada coevolução. Se um animal era frequentemente predado por outro, com o passar do tempo a presa foi se tornado mais difícil de ser encontrada.

No mecanismo evolutivo chamado camuflagem, um organismo foi se modificando, tanto na forma do corpo quanto no comportamento, para ficar quase invisível em seu ambiente. Esta estratégia foi tão eficiente que, atualmente, podemos observar tanto presas quanto predadores apresentando a camuflagem.

Bichos-pau (Insecta: Phasmatodea)

Camuflegem cap 1_site

Os bichos-pau apresentam o formato do corpo alongado e a coloração variando de verde a marrom. Quando em repouso posicionam as duas primeiras pernas para frente e, quando em movimento, caminham se balançando lentamente como se o vento estivesse criando o movimento. Neste grupo de insetos a evolução atuou tanto no corpo, para que eles se camuflassem em meio aos galhos, como no comportamento, para que em movimento, parecesse um galho sendo soprado pelo vento. A camuflagem também auxilia os bichos-pau durante a alimentação, já que estes podem devorar os brotos de flores e folhas enquanto estão completamente invisíveis para os seus predadores.

Texto Felipe Bittioli R. Gomes / Musa • 21/03/2015
Fotos Vanessa Gama / Musa