Camuflagem_epílogo_site

Mas e se a camuflagem não der certo?

A camuflagem tem a função principal de “esconder”, seja para caçar ou para fugir!
É um sistema principalmente passivo, em que o animal não tem que desenvolver nenhuma atividade especial para se esconder no ambiente, como escavar ou construir um abrigo. Entretanto, uma vez descoberto, o animal perde a vantagem da invisibilidade. O predador perde a capacidade de se aproximar mais ainda da presa, enquanto a presa fica mais vulnerável ao predador.

Uma vez descoberto, o animal, antes camuflado, ficará vulnerável e precisará encontrar alternativas. O predador tendo perdido o disfarce possivelmente desistirá desta caçada e reiniciará outra em breve; a presa, frequentemente fugirá, como uma ave que pode voar rapidamente. No entanto, outros animais podem apresentar comportamentos agressivos ou defensivos, como parecer com algo que não é: ser maior, assustador, venenoso ou se assemelhar a outro predador.

Muitos insetos camuflados, que têm voo lento, se utilizam da exposição de ocelos, que são manchas com o formato de olhos que lembram predadores dos predadores, por exemplo, olhos de corujas que predam aves menores. A jequitiranaboia, uma espécie de cigarra (Fulgora lanternaria, Hemiptera: Sternorrhyncha: Fulgoridae, foto J) é um dos insetos mais icônicos do mundo, com seu rostro (região frontal da cabeça) alongado, lembrando um jacaré ou cobra. Apresenta as asas muito camufladas, semelhantes à casca das árvores mas, quando descoberto o  seu disfarce, abre as asas e surgem olhos que se assemelham aos de uma coruja.

Os louva-a-deus (foto K), assim como as jequitiranaboias, a partir do momento que são descobertos, assumem uma postura mais agressiva, elevando o corpo, esticando as garras e abrindo as asas, que na maioria das vezes também possui ocelos, assim como acontece com grilos e gafanhotos (foto L).

A natureza está cheia de surpresas, algumas vezes escondidas sobre a casca de
uma árvore ou penduradas num galho cheio de folhas verdes, e quando estamos preparados para enxergá-las com bons olhos, os olhos do conhecimento e da conservação, compreendemos a importância da floresta em pé e nos reconhecemos como seres vivos que fazem parte de um mesmo ambiente, de uma enorme rede de interações. E você, topa o desafio de encontrar os seres camuflados da floresta? Seja bem vindo ao Musa e se deixe fascinar!

Texto: Felipe Bittioli R. Gomes / Musa • 14/04/2015
Foto J: Felipe Bittioli R. Gomes / Musa; fotos K e L: Vanessa Gama / Musa