Falcão-mateiro Micrastur gilvicollis_post TNM

Na floresta do Museu da Amazônia é possível ouvir uma ave fantasma, seu canto é ouvido pouco antes de amanhecer e no pôr do sol. Durante o dia é praticamente impossível vê-lo, mas ele está lá. A sensação que temos ao ouvir o canto do falcão-mateiro (Micrastur gilvicollis), bem simples, mas inconfundível, é de que ouvimos um fantasma, pois essa ave raramente é vista.

O falcão-mateiro mede de 33 a 38 cm e pesa entre 170 e 262 g, ocorre desde o leste da Colômbia, sul da Venezuela, Guianas, por quase toda a Amazônia, sendo substituído pelo falcão-críptico (Micrastur mintoni) na margem direita do rio Madeira. É facilmente identificado pela pele vermelha ao redor dos olhos e bico (ausente no jovem), olhos claros, dorso cinza, barriga branca, com o peito levemente estriado de cinza e tarso amarelo. O gênero Micrastur é composto por sete espécies e seis delas ocorrem no Brasil. Devido ao seu comportamento discreto e ao fato de cantar em horários específicos são aves difíceis de registrar.

São falcões ágeis, com cauda comprida e asas curtas, que os auxiliam a manobrar em um ambiente cheio de obstáculos e os torna perfeitos para perseguir suas presas no interior da mata. Evoluíram especialmente para caçar outras aves, mas podem apanhar lagartos e outros pequenos animais. Vivem no sub-bosque, entre 2 e 6 m de altura e quando caçam costumam permanecer imóveis, pousados observando movimentos. Se não encontram nada, voam para outro poleiro e reiniciam a procura.

No Museu da Amazônia a espécie pode ser ouvida por toda a trilha que vai para a torre, área que é território de um casal, mas para observá-los é preciso uma boa dose de sorte.

Texto Tomaz Nascimento de Melo • 24/03/2016

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