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Falcão-de-peito-laranja (Falco deiroleucus) • Foto Anselmo d’Affonseca

Há seis meses um casal de falcões-de-peito-laranja (Falco deiroleucus) apareceu no Musa. As aves são observadas quase que diariamente cantando no alto dos dois angelins (Dinizia excelsa) na entrada do museu. Geralmente não se percebe que estão no local até ouvirmos seu canto, uma sequência rápida e aguda de assobios, que usam para marcar território. Após ouvi-los, basta procurar nos galhos das imensas árvores. Sabemos que é um casal que tem frequentado a área, pois assim como outras espécies de aves de rapina, a fêmea é maior que o macho e quando vemos os dois próximos é possível saber o sexo da ave que estamos observando.

Esse raro falcão é muito semelhante ao cauré (Falco rufigularis), bem mais comum e menor. A principal diferença nos adultos dessas espécies é a faixa laranja bem definida no peito do Falco deiroleucus e que no máximo aparece como um branco “sujo” no Falco rufigularis. Além disso, o falcão-de-peito-laranja possui cabeça mais larga, bico mais possante, tarsos e dedos mais compridos. Como estas diferenças são sutis, em caso de dúvida convém consultar um especialista.

Estes falcões preferem pousar em poleiros altos e expostos, de onde têm uma boa visão do terreno, podendo detectar possíveis presas, partindo rapidamente em perseguição. São aves bem adaptadas a capturar presas em voo, tendo preferência por outras aves e até mesmo morcegos que podem capturar no crepúsculo.

Ocorrem desde o México, América Central, Andes até o norte da Argentina. No Brasil podem ser encontrado no norte, centro-oeste e sudeste, na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Ocupam desde florestas a ambientes mais abertos. A presença da espécie na borda de florestas, como os registros feitos em Manaus indica que esta espécie frequenta também áreas com algum grau de perturbação.

No Musa, além dos angelins, essa espécie foi vista da Torre de observação. É uma espécie raramente avistada e que está na lista de desejos de todos os observadores de aves. Atualmente o Musa é o único local em Manaus onde a espécie tem sido registrada com frequência, portanto não deixe de observar sem pressa os angelins, pode ter um raro falcão observando você também.

Texto Tomaz Nascimento de Melo • 04/04/2016

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