Foto: Valter Calheiros/Musa

Uma ação inédita fez o Brasil ingressar num sistema global e colaborativo de monitoramento da migração de aves em todo o mundo. Um conjunto de três antenas instalado no topo da Torre de Observação do Museu da Amazônia (Musa) está fazendo o rastreamento de aves através do Sistema de Transmissão Motus. O equipamento pode detectar qualquer espécie da fauna que tenha um transmissor compatível, um tipo de chip, numa distância de 20km. Países como o Canadá e os Estados Unidos já contam com inúmeras antenas como a que foi instalada na cidade de Manaus, no Amazonas.

O objetivo inicial é estudar a andorinha-azul (Progne subis), uma espécie que faz sua reprodução na América do Norte, mas inverna entre os meses de setembro e março na América do Sul, principalmente na Amazônia brasileira. “O futuro dessa espécie preocupa cidadãos da América do Norte, onde elas reproduzem em casinhas postas nos quintais das pessoas e seu declínio populacional chama atenção. Ainda não foi estudado como elas passam na metade do ano que ficam no Brasil.”, explica professor Dr. Mario Cohn-Haft, ornitólogo no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Uma das antenas tem capacidade de captação de 360 graus, as outras duas são direcionais. Todos os dados coletados são gravados num cartão de memória e podem ser baixados através de um aplicativo de celular via rede wireless. Os dados são então carregados num banco de dados acessível, via web, por pesquisadores de todo o mundo. Ou seja, alguém que esteja fazendo uma pesquisa sobre qualquer outra espécie marcada com chip do sistema Motus vai ser informado automaticamente se seu animal for detectado pela antena.

O sistema foi instalado no dia 19 de novembro na torre que tem 42 metros de altura e fica acima da copa das árvores, dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Zona Norte de Manaus. Além do Musa e do Inpa, o projeto da andorinha-azul tem parceria do Instituto Butantan, de São Paulo; da Universidade de Manitoba em Winnipeg, no Canadá e da ONG PMCA (Purple Martin Conservation Association).

A segunda etapa do projeto já está em andamento. Trata-se da captura das andorinhas para que seja colocado o chip e depois solta sem prejudicar os pássaros marcados, para posterior monitoramento. “O monitoramento da migração de aves, que voando atravessam continentes, envolve uma paciente colaboração científica internacional. Esta pesquisa poderá dar, por exemplo, uma importante contribuição para o estudo do deslocamento de doenças transmitidas por vírus transportados pelos pássaros”, lembra prof. Ennio Candotti, diretor do Museu da Amazônia.